Bastidores e OPINIÃO

Publicada em: 08/07/2026 16:11 -

A falsa neutralidade e o conforto da omissão. Questionar é necessário.

O contraditório fortalece a convivência. A arrogância a enfraquece. E a omissão, quando travestida de neutralidade, raramente serve aos fatos

Em tempos de debates intensos e opiniões divergentes, o contraditório continua sendo uma das bases mais importantes de uma sociedade democrática. Discordar é saudável. Questionar é necessário. Apresentar argumentos diferentes enriquece a discussão e contribui para a busca da verdade.

O problema surge quando a divergência dá lugar à arrogância, e quando a neutralidade passa a ser apenas um disfarce para a omissão. E aqui falamos de uma grande gama de pessoas, algumas da própria imprensa, ou que se entendem parte dela por atuarem na área de comunicação. Há quem prefira assistir aos acontecimentos da arquibancada, alimentando intrigas, comentários de bastidores e especulações, sem o compromisso de compreender os fatos ou assumir qualquer posição responsável diante deles.

A falsa neutralidade frequentemente se apresenta como equilíbrio, mas, na prática, transforma-se em conveniência. Não raro, aqueles que afirmam não tomar partido são os primeiros a disseminar dúvidas, fomentar conflitos e estimular divisões, sem contribuir para a construção de soluções ou para o esclarecimento da realidade.

Ter opinião não é problema. Pelo contrário, é um direito legítimo. O que enfraquece o debate público é a postura de quem transforma sua própria visão em verdade absoluta, recusando-se a ouvir argumentos diferentes ou a admitir a possibilidade de estar equivocado.

O contraditório fortalece a convivência. A arrogância a enfraquece. E a omissão, quando travestida de neutralidade, raramente serve aos fatos; costuma servir apenas à comodidade de quem prefere o rumor à responsabilidade.

 

 

Que os festejos em homenagem ao padroeiro e ao aniversário de nossa querida Joanópolis, celebrados entre os dias 19 e 28 de junho, tenham servido também como oportunidade de reflexão. Que esse período tenha levado à reflexão aqueles que ainda permitem que ações de cidadania e responsabilidade pública sejam conduzidas por impulsos pessoais, vaidades ou egos inflamados, sem a necessária compreensão do interesse coletivo. Afinal, todo aquele que carrega sobre os ombros a confiança, a representação ou a influência sobre outras pessoas deve compreender o peso dessa missão, exercendo-a com bom senso, respeito, equilíbrio e responsabilidade. São esses valores, e não as disputas estéreis ou os interesses individuais, que verdadeiramente contribuem para o fortalecimento da responsabilidade cívica e comunitária.

PARA REFLETIR...

Ninguém evolui permanecendo apenas entre elogios e certezas confortáveis. A verdade, quando inesperada, obriga o indivíduo a confrontar versões de si mesmo que prefira não enxergar e, muitas vezes, não é a crítica que machuca, mas o espelho que ela cria. Talvez por isso as palavras mais difíceis de aceitar sejam justamente aquelas capazes de provocar mudança. O desconforto diante da verdade costuma revelar mais sobre quem escuta do que sobre quem fala. Entretanto, o incômodo é parte essencial do autoconhecimento; o ser humano raramente reage apenas às palavras, reage, sobretudo, ao impacto que elas causam em sua própria consciência.

*Artigo publicado no impresso Jornal TRIBUNA da Cidade – Edi. 206 - junho 2026

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